Espanto do corpo e vontade de mudar o Mundo emergem de 3 a 12 de fevereiro em Guimarães




O espanto do corpo e a vontade de mudar o mundo (através da dança) emergem de 3 a 12 de fevereiro em Guimarães. A 11ª edição do GUIdance – Festival Internacional de Dança Contemporânea está prestes a apresentar 10 criações, com Sofia Dias & Vítor Roriz em destaque e nomes como Moritz Ostruschnjak, Maria Fonseca, Peeping Tom, Vera Mantero, Catarina Miranda, Anastasia Valsamaki e Wim Vandekeybus a juntarem-se a esta celebração.

Conheça, abaixo, com maior detalhe, o programa da 1ª semana do festival.



“Escala” é uma peça que encerra o projeto Infiltração de Sofia Dias e Vítor Roriz no Teatro do Bairro Alto. Interpretada por Alice Bachy, Bruno Brandolino, Luís Guerra, Natacha Campos, bem como por Sofia Dias e Vítor Roriz, pretende abranger a ideia de corpo coletivo/social que tem permanecido à margem do trabalho predominantemente em dueto desta dupla. Uma mudança de perspetiva que permite aprofundar lógicas de composição, tomar decisões que escapam aos processos internos do intérprete-autor e expandir para outros corpos aquilo a que relutantemente chamam vocabulário.



“TANZANWEISUNGEN” (em português, “Instruções de dança”) é um solo pleno de referências autorreflexivas e irónicas que desafiam qualquer definição específica. Moritz Ostruschnjak mantém-se fiel ao estilo eclético das suas últimas produções e permite que o seu solista – o fantástico bailarino Daniel Conant – nos leve por um cânone extremamente diverso e exigente de movimento, assumindo, em rápida sucessão, poses de resistência, de combate e vitória, de masculinidade estilizada, do ballet clássico, das dança de salão e do desporto, num pulsar alucinante de elementos divergentes que se exageram, ironizam e contradizem, como que obedecendo a uma instrução obrigatória que nos leva a um abismo.



“Sahasrara”, de Maria Fonseca, reflete sobre o que tem sido viver em tempos de pandemia. Numa época sem tempo, o tempo chegou sem previsão de fim. Caem as máscaras, a natureza engole-as faminta de verdade. Deparamo-nos com o desconhecido, com a nossa própria morte mas também com a morte de um futuro que julgámos estar sob controle. Será o Corona um bicho iluminado que vem contribuir para a evolução da humanidade, como diz Mikki Willis. A crise climática não é o Coronavírus? A alquimia no agora.



Depois de “Vader” (Pai) e “Moeder” (Mãe) – espetáculos que também subiram ao palco do CCVF – “Kind” (filho) é a terceira parte da trilogia familiar da consagrada companhia belga Peeping Tom. Nesta criação, Gabriela Carrizo e Franck Chartier exploram diferentes fontes de psicose do ponto de vista da criança. A peça aborda temas como a violência, o paradoxo entre a realidade e a ficção, o outro, o trauma, na tentativa de comprovar que, em grande medida, o meio ambiente em que crescemos pode determinar a pessoa em que nos tornamos. Numa dualidade entre reflexo e resistência, “Kind” questiona os aspetos perversos da formação da identidade.



Com este espetáculo, Sofia Dias e Vítor Roriz partem à procura da qualidade mágica que emerge da fricção entre som e imagem. Pode uma imagem enganar a nossa perceção sobre a proveniência de um som? Ou um som mentir-nos sobre a sua origem? “Sons Mentirosos Misteriosos” é um espetáculo que, tal como as crianças, não tem problemas em saltar de uma coisa para a outra num fluxo de livre associações.


ATIVIDADES PARALELAS

Qui 3 fev,
após o espetáculo “Escala”
Talk com Sofia Dias & Vítor Roriz

Sex 4 fev, 18h00-20h00
Masterclass com a companhia
Peeping Tom

Sex 4 fev,
após o espetáculo
“TANZANWEISUNGEN (it won't be like this forever)”
Talk com Moritz Ostruschnjak

Sáb 5 fev, 16h00
CIAJG / Sala de Conferências
Debate “Desfiguração Transformação”
Parte I
Com Gaya de Medeiros, Sara Barros Leitão, Henrique Amoedo (via Zoom)
Moderação Claudia Galhós


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