Guimarães) De 2 a 11 de junho, os Festivais Gil Vicente apresentam seis espetáculos e várias coproduções




De 2 a 11 de junho, os Festivais Gil Vicente apresentam seis espetáculos – os dois primeiros em estreia absoluta – e várias coproduções, que reforçam um forte apoio à nova criação teatral portuguesa.


A 34ª edição dos Festivais Gil Vicente abre esta quinta-feira com a estreia de “Tratado, A Constituição Universal”, o último espetáculo do ciclo “Democracia e os anos 90”, da Momento - Artistas Independentes. Nos Estados Democráticos Unidos, cada Estado é governado por um diferente tipo de regime, lá os conceitos de naturalidade e migração não existem. A cada cinco anos é realizado o Dia Internacional do Voto, onde todos os cidadãos são convocados às urnas. A partir daí, cada cidadão viverá nos próximos cinco anos no Estado correspondente ao ideal expresso através do voto. Um mês depois, a mudança automática de emprego é realizada, a mudança para o novo Estado é feita, o conceito de família é dispensado. Mas o caos instala-se quando a rivalidade entre os Estados toma proporções incontornáveis e o Grande Estado Conservador proíbe os cidadãos de comparecerem ao Dia Internacional do Voto.



Sara Inês Gigante também estreia “Massa Mãe” nos Festivais Gil Vicente, uma peça em que encontramos uma gaiata a esmiuçar parte da sua identidade – a que está bordada com corações minhotos. Esta minhota puxará a brasa à sua sardinha, mas também irá preparar terreno para tirar nabos da púcara. Vamos até ao tempo da Maria Cachucha brindar com vinho verde enquanto acertamos agulhas, que parece haver um ou outro empecilho ainda em banho-Maria. Não é tudo farinha do mesmo saco, mas quase tudo do saco desta minhota que já em garota falava pelos cotovelos, mas isso… são outros quinhentos. Há tradições (ou convenções?) a dar c’um pau, e umas não são grande espiga, outras andam aí vivaças da silva e com saúde de ferro. A verdade é que todos comemos do pão que o diabo amassou e ainda lambemos os beiços a seguir. Mas hoje é esta minhota que amassa a broa. Bom apetite.



Considerado um dos espetáculos mais marcantes de 2021 pelo jornal Público, “Limbo” questiona os conflitos de identidade dos mestiços (Mulatos) e os horrores da colonização e da política de hierarquia de raças, para perceber o lugar que ocupam, atualmente, os afrodescendentes nas antigas potências colonizadoras europeias. “Limbo” é acima de tudo um questionamento íntimo. Victor de Oliveira nasceu na cidade de Maputo, em Moçambique, passou a adolescência em Portugal e vive atualmente em Paris. Neste monólogo, parte da sua própria experiência de vida para tentar compreender por que razão a disparidade entre brancos e negros é ainda abissal e os problemas são ainda relativamente os mesmos.



Inspirados pelos filmes Le mépris e Weekend, de Jean-Luc Godard, os auéééu propõem-se pensar o sentimento de desprezo, esta ausência de consideração pelas relações que cultivamos nas nossas vidas, o exercício de poder dominante, a manutenção dos seres desprezados. O sentimento de desprezo pressupõe uma relação do olhar do outro sobre o ser desprezado – um olhar que o torna invisível, que renega ao primeiro gesto de humanidade pois não o reconhece como seu semelhante, que o reduz a uma insignificância e lhe retira existência – ou melhor, que lhe confere uma existência indiferente. O que nos diz este desprezo? O que nos diz acerca de quem despreza e de quem é desprezado? Que pensamento estruturante é revelado a partir dessa observação?



Em “Another Rose”, Sofia Santos Silva propõe uma colaboração com Gulabi Gang, um grupo ativista sediado em Uttar Pradesh, no norte da Índia, fundado por mulheres para dar resposta à violência sistémica e discriminação generalizada de uma sociedade assente em práticas e costumes patriarcais que banalizam a violência sobre as mulheres. Sampat Pal, líder do grupo, inicia este espaço de luta, de forma a consciencializar as mulheres sobre os seus direitos constitucionais e mecanismos de defesa no combate às desigualdades de género enraizadas. O espetáculo é um encontro à distância com estas mulheres que cantam os seus ideais de mudança e mostram os passos de uma irmandade que se unifica pela transformação. “Another Rose” é um eco de resistência e união. Cantamos.



Em 1972, Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa publicam Novas Cartas Portuguesas, tendo como ponto de partida as Cartas Portuguesas, romance epistolar publicado anonimamente, em 1669, e atribuído à freira Mariana Alcoforado. O livro foi prontamente retirado do mercado, acusado pelo regime fascista de “insanavelmente pornográfico e atentatório da moral pública”, e as suas autoras levadas a julgamento. No ano em que se comemoram os 50 anos da publicação do livro, Catarina Rôlo Salgueiro e Leonor Buescu encerram os Festivais Gil Vicente com “Ainda Marianas”, um espetáculo que pretende convocar uma discussão em torno da memória coletiva, de um país, das suas gentes, e do seu tempo.

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Durante o decorrer dos Festivais Gil Vicente, o Teatro Oficina, enquanto companhia da casa, propõe um workshop de quatro dias com Beatriz Batarda, e um ciclo de jornadas durante três dias, pensado para estudantes de teatro que estejam no último ano do curso, seja ele um curso profissional, licenciatura, ou outro. No entanto, são abertas a qualquer outro estudante de teatro que esteja noutro momento da sua formação, ou recém-profissional, sobretudo os que saíram para o mercado de trabalho nos últimos dois anos de pandemia, em que o sector cultural esteve sobejamente afetado, e que sentem que ainda não conseguiram arrancar a sua vida profissional.

Fazer teatro também pode ser pensar e discutir teatro. Mas, para fazer teatro, é também preciso saber como se abre atividade, como registar propriedade intelectual, como se apresenta um projeto para coprodução, como se faz uma candidatura. Durante estes dias, iremos tentar explicar tudo o que sempre quiseste saber, mas nunca ninguém te explicou. Desde a partilha de experiências sobre estudar no estrangeiro, ao acesso às bolsas de estudo, passando por uma explicação sobre o mundo das agências e das audições.


FORMULÁRIO DE INSCRIÇÃO NO WORKSHOP DE TEATRO COM BEATRIZ BATARDA
[6 a 9 junho]


FORMULÁRIO DE INSCRIÇÃO NAS JORNADAS DE TEATRO
[10 a 12 junho]


Versão digital do caderno/programa dos Festivais de Gil Vicente 2022
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