Profesor Capucha

El profesor Luís Capucha ha hecho un interesante análisis, tras la primera ronda de las elecciones presidenciales portuguesas, que ha supuesto que el socialista António José Seguro y el ultraderechista André Ventura hayan pasado a la ronda final, para  disputarse la Presidencia de Portugal en el segundo domingo de febrero.

Tras las declaraciones y posturas de unos y otros candidatos y de los propios partidos políticos, en la noche electoral de anoche, el profesor Luís Capucha ha servido este análisis a la hora del desayuno del día después...


"A eleição para Presidente da República não vai ser disputada entre a esquerda e a direita. Essa é a vontade de Ventura, mas não é a realidade (Ventura e verdade combinam mal). A disputa é entre Seguro e Ventura, isto é, entre a decência e a falta de escrúpulos e de vergonha, entre a educação e a boçalidade, entre o equilíbrio e o radicalismo, entre a tolerância e o ódio, entre a racionalidade e a manipulação, entre a democracia e o autoritarismo. Parece simples, e no fundo, até é. Mas pode sempre complicar-se. Não é o que queremos, nem o que precisamos". (Profesor Luis Capucha)

"Ventura, o Andresito nas palavras de Isaltino Morais, quer ser o líder da direita. De toda a direita. Cambalhotas e reviravoltas é com ele. Agora o PSD deixa de ser o sistema com que é preciso acabar, já merece ser liderado pelo rapaz. E os betinhos da IL idem, de desprezíveis frouxos passam a valorosas tropas comandadas por Ventura. Vai-lhe custar manter o tom agitador e extremista que o fez ganhar votos e ao mesmo tempo passar-se por agregador de toda a direita. Mas vai tentar. Usar duas caras não há-de ser problema para ele.
O que mais impressiona, porém, é que o PSD e a IL tenham aceitado essa liderança. Entre um democrata moderado do centro esquerda e um populista que semeia o ódio e visa destruir o sistema democrático, não conseguem decidir. Nestas eleições é mesmo entre uma coisa e o seu oposto que se tem de decidir, mas eles preferem demitir-se e implicitamente aceitar que um protofascista ocupe o seu espaço político.
Ao mostrar esta fraqueza quando é preciso defender a democracia, a liberdade, a decência, a civilidade e a tolerância, arriscam-se a pôr-se a jeito para serem as primeiras vítimas do populista sem escrúpulos nem contemplações que vai perder, apesar do silêncio cúmplice da direita que se diz democrática. Ao calar-se, PSD e IL entregam o ouro, o seu espaço político, ao bandido. Deois irão chora.
O Andresito, por sua vez, já mostrou como vai ser a campanha: esganiçada contra o papão socialista. Só que as pessoas não são parvas. Agora que os socialistas regressam à posição de onde nunca deveriam ter saído, a esquerda moderada, as pessoas reconhecerão que os socialistas são parte da história da liberdade, da democracia, da educação, do sistema nacional de saúde e de tantas outras conquistas que foram partilhando com os moderados de direita. Eis a razão pela qual creio, e espero, que Seguro seja eleito Presidente da nossa República."


Gráfico : in "Observador")