El actual gobierno portugués de AD parece empeñado en seguir llevando la CP (Comboios de Portugal) hacia el desastre que poco a poco se vislumbra, a la vista de su día a día y los hechos que se van sucediendo, en vísperas ya de una especie de privatización por líneas que aún podría sucede este mismo año. Los enfrentamientos entre quien es Oposición (como el experto ferroviario, diputado socialista, ingeniero Barbosa) y quienes son poder (la señora de la foto) van tomando cariz de épicos...

José Carlos Barbosa leyó así publicamente la cartilla a la buena señora...

Não nos separa uma simples linha de fronteira. Separa-nos um autêntico oceano ideológico.
Durante o mandato de Cristiana Dias como vice-presidente da CP, a empresa perdeu milhares de passageiros. Em simultâneo, enquanto presidia à EMEF, promoveu uma tentativa falhada de privatização e conduziu a uma descapitalização brutal dos recursos humanos. O resultado foi claro e inequívoco: comboios encostados por incapacidade de assegurar a manutenção. Uma gestão que fragilizou a empresa e comprometeu a sua operacionalidade.
Quando assumi responsabilidades na CP, encontrei uma empresa debilitada. Liderámos um verdadeiro projecto de recuperação: reabilitámos material circulante, reabrimos oficinas, contratámos e formámos dezenas de trabalhadores. O resultado não foi retórico, foi mensurável. Batemos recordes de passageiros duas décadas depois e apresentámos lucros pela primeira vez na história da empresa. Factos, não narrativas.
Choca-me, por isso, ouvir afirmar que a empresa “temos este investimento da comboios de Portugal a sugar dinheiros públicos”. Essa expressão revela não apenas um preconceito ideológico primário, mas também um desconhecimento profundo do funcionamento do sector ferroviário. A CP não “suga” dinheiro público: recebe compensações pelo serviço público que presta, tal como acontece em qualquer sistema ferroviário europeu digno desse nome.
E há ainda uma última linha que nos separa: a linha da ética e da idoneidade. Eu jamais receberia 78 mil euros aos 48 anos de idade depois de pedir para sair da empresa.
Há diferenças políticas. Mas, acima de tudo, há diferenças de visão, de responsabilidade e de carácter.