Os trabalhadores da CP no Metro do Porto estão em greve.
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Os trabalhadores da CP no Metro do Porto estão em greve.
Os trabalhadores do Metro estão em greve porque uma das vogais da CP decidiu impor uma nova escala de trabalho sem qualquer negociação, apenas por imposição. Curiosamente, essa mesma vogal não tem o mínimo de noção sobre ferrovia nem sobre manutenção.
O que se passa no Metro do Porto é uma provocação clara do Conselho de Administração da CP aos trabalhadores, empurrando-os deliberadamente para a luta através da greve, com o objectivo de criar um conflito social entre os passageiros, que ficam sem comboio, e os trabalhadores em greve. Já que não lhes podem chamar incompetentes, porque hoje trabalham melhor e mais barato do que a empresa privada que ali operou durante décadas, vão chamar-lhes grevistas e tentar entregar novamente a manutenção a um privado, em nome de uma suposta paz social.
Mas isso tem um preço. Os custos de manutenção irão aumentar a médio prazo e quem acabará por suportar esse encargo será o Estado e os trabalhadores, que poderão ver os seus direitos reduzidos e enfrentar um agravamento da precarização laboral, com maior instabilidade, vínculos mais frágeis e menor proteção social.
Sei bem do que falo. Passei por lá. Encontrei uma oficina com dezenas de problemas técnicos mal resolvidos, fruto de uma gestão privada cujo único objectivo era sacar o máximo de euros da manutenção e das avarias. Aliás, adoravam avarias fora do contrato, porque assim cobravam mais uns euros ao Metro do Porto.
Quando a manutenção passou a 100% para a CP, os trabalhadores fizeram um trabalho notável. Resolveram problemas de obsolescência, reprojetaram sistemas que funcionavam mal desde a concessão dos comboios e montaram uma estrutura capaz de realizar revisões gerais, com muitas peças produzidas no mercado nacional. Hoje pode parecer fácil. Mas foi, na verdade, um trabalho hercúleo.
O resultado foi simples e incómodo para alguns. Mais capacidade para resolver problemas, mais fiabilidade, menores custos para o erário público e fabrico de componentes em empresas portuguesas.
A administradora da CP acabará por sair pela porta pequena, tal como saiu a sua chefe, atual Secretária de Estado da Mobilidade, que também tentou privatizar a EMEF, sem sucesso. Nós provámos, em poucos anos, que a fusão da EMEF na CP produziu resultados concretos e fortaleceu a capacidade operacional e de manutenção da empresa.
O conselho que lhe deixo é simples: não mexa no que está a funcionar bem. Aliás, já é evidente para muitos o declínio operacional e na manutenção da CP desde a sua entrada em funções
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Apunte de Eng. José Carlos Barbosa, experto en temas ferroviarios