Por Frederico Francisco

Faz hoje um ano que os comboios de passageiros regressaram à Linha de Leixões. 586 mil passageiros não é um número muito elevado para uma linha urbana, mas o valor está muito próximo daquilo que era estimado.

Sempre me fez confusão haver linhas ferroviárias no centro de Áreas Metropolitanas sem serviços de passageiros, e a Linha de Leixões era o exemplo mais óbvio no caso do Grande Porto. Ao longo de 2023, foi possível trazer o operador, o gestor de infraestrutura e o município para o mesmo lado.

No dia 21 de Março de 2024, foi assinado o protocolo entre CP, IP e C. M. Matosinhos que permitiu criar dois novos apeadeiros, as respetivas acessibilidades e um horário com 2 comboios por hora por sentido. Um início modesto, mas um início.

Menos de um ano depois da assinatura do protocolo, no dia 9 de Fevereiro de 2025, foi possível iniciar o serviço de passageiros na Linha de Leixões. No total, passaram cerca de 2 anos desde as primeiras reuniões sobre o tema e a concretização.

É evidente que falta "o resto" para aproveitar completamente o potencial da Linha de Leixões. "O resto" é o prolongamento do serviço até Leixões, as interfaces com o Metro do Porto e o aumento da frequência, possivelmente, com a duplicação da Linha.

Este exemplo mostra que é possível melhorar serviços de transporte público, incluindo ferroviários, sem ter de esperar anos e gastar centenas de milhões de Euros. As oportunidades nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto, e no resto no país estão longe de esgotadas.