Divulgado por Ferrovia em PortugalAndré Valente Ramos

Sou utilizador da CP - Comboios de Portugal há muitos anos e viajo regularmente no Intercidades das 06h30, o único que me permite chegar a horas ao destino.
Infelizmente, a experiência está longe de ser aquilo que um serviço público deveria garantir.
Sempre que peço assistência, recebo uma chamada a dizer que não há funcionários disponíveis na estação de Santa Apolónia para prestar assistência. No entanto, quando lá estou, vejo vários funcionários presentes. A alternativa apresentada é embarcar no Oriente, como se fosse uma solução aceitável.
Ao mesmo tempo, desde o início do ano que o único elevador da estação de Espinho está avariado. Este problema, da responsabilidade da Infraestruturas de Portugal, mantém-se sem resolução há meses.
Mas há mais.
A maior parte dos comboios Intercidades não têm um espaço dedicado para cadeiras de rodas. Na prática, é utilizado o espaço destinado às bicicletas. Sempre que há passageiros com bicicletas, cria-se um conflito desnecessário, falta de planeamento Gigante.
Pior, já houve situações em que revisores demonstraram desagrado por terem de ajudar no desembarque, nomeadamente ao retirar a cadeira de rodas do comboio. Este tipo de atitude é inaceitável num serviço público e revela falta de formação, sensibilidade e orientação.
Tudo isto mostra que não estamos a falar de casos isolados, mas sim de falhas sistemáticas, por parte da CP e da IP - Infraestruturas de Portugal.
Felizmente, consigo ultrapassar estas barreiras. Mas e quem não consegue?
A acessibilidade não pode depender de telefonemas, improvisos ou da boa vontade de quem está de serviço. Tem de ser garantida, consistente e digna.
É urgente que estas situações deixem de ser ignoradas.